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Das vaias ao estrelato

O ano de 1958 foi marcante por muitos acontecimentos, dentre eles a primeira grande conquista do futebol brasileiro, a Copa do Mundo e a descoberta de uma diva, Adalgisa Colombo.

Engana-se quem pensa que a modelo da conceituada Casa Canadá foi unanimidade na noite que mudaria sua vida. Entre vaias, salgadinhos e pedras de gelo suas lágrimas rolaram, mas a bela carioca, que representava o Clube Botafogo no concurso Miss Distrito Federal, conquistou sua primeira coroa e não se intimidou com a péssima recepção do público. Logo depois seria eleita Miss Brasil em um Maracanãzinho lotado. Sua forte personalidade marcou época e com desenvoltura e firmeza declarou em sua entrevista aos jurados: "Com a educação cada um demonstra o que aprendeu em casa. Quem tem aplaude, quem não tem, vaia."

Mãe de três filhos e feliz com seu segundo marido, o empresário Flavio Teruskin, Adalgisa abriu seu coração e relembrou histórias que marcaram sua vida.


Quando você decidiu ser Miss?

Dos quatorze aos dezoito anos eu tinha a idéia fixa de ser miss, queria ser uma estrela. Quando Marta Rocha ganhou o título de Miss Brasil fiquei fascinada.

Com quinze anos fiz meu primeiro desfile para os maiôs Catalina no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, lembro-me que o tema era "A evolução dos maiôs". Menti que sabia andar de salto alto, mas nunca tinha usado um e fiquei treinando o dia inteiro. Nesse dia deparei-me com Marta Rocha no elevador e fiquei emocionada, naquele momento eu sabia o que eu queria - ser Miss Brasil.

Você teve algum incentivo da família?

No começo meu pai não gostava muito da idéia, mas depois disse que eu deveria seguir até o fim, mas minha mãe sempre me acompanhou. Já naquela época existiam os apaixonados por misses e eu tive uma pessoa muito especial que me ajudou na preparação, Oscar Santa Maria. Ele era o maior gênio e me orientou muito bem. Comecei a ter aulas de inglês cinco vezes por semana e comia muita cenoura para a pele ficar bonita.

Participei do concurso Miss Rádio Globo só para adquirir experiência e acabei ganhando o concurso e um programa na rádio. Acordava muito cedo, o programa começava às 8:00h da manhã. Entrevistei muitas personalidades e cantores famosos, inclusive a Terezinha Morango, Miss Brasil 1957. Foi muito divertido, perguntei a ela como podia ter respondido as perguntas em inglês no concurso Miss Universo sem falar o idioma e ela respondeu: "Papagaio não repete?"


Fale um pouco da polêmica em torno da sua eleição.

A polêmica começou antes do concurso Miss Distrito Federal, pois a famosa modelo Geórgia Quental, que trabalhava comigo na Casa Canadá, resolveu participar do concurso, e Dona Mena Fiala decidiu apoiar apenas uma, e eu fui a escolhida, pois já estava me preparando há quatro anos. Houve um mal estar entre as candidatas pelo fato de eu ser uma modelo profissional. No dia do desfile enquanto todas as meninas usaram pancake nas pernas eu usei óleo Johnson e, é claro, minhas pernas ficaram muito mais bonitas. Além disso, o maiô era horroroso e resolvi fazer algumas mudanças. Descosturei e enrolei um pouco, cavei as costas e os homens foram ao delírio.

Uma semana após a minha polêmica vitória como miss Distrito Federal, venci o concurso Miss Brasil, e desta vez fui muito aplaudida. Acho que o Rio de Janeiro nunca me prestigiou como miss, mas eu não me importava, tinha como objetivo o Miss Universo.


Esta rejeição foi uma grande decepção?

Não. Queria ser miss e fui, mas não aproveitei muito meu título de Miss Brasil, pois logo em seguida embarquei para concorrer ao título de Miss Universo e não voltei mais. Sempre fui muito decidida, profissional e corajosa, contestava tudo. Pra falar a verdade acho que eu não fui uma miss simpática. Quando passei a morar e trabalhar nos Estados Unidos a imprensa começou a me tratar diferente. Fiz ótimos trabalhos, desfilei para Oscar de la Renta, Ann Klein e Halston dentre outros estilistas.


E a experiência de participar do concurso Miss Universo e chegar tão perto do título?


Cheguei aos Estados Unidos com o meu namorado, que morava em Nova York, e naquela época isso era um absurdo, a miss não podia botar o nariz pra fora da porta. Mas fui bem recebida, lembro que eu era favorita, mas na hora da entrevista me deu um branco, então olhei para o entrevistador e comentei como ele era bonito. No meu discurso disse algo mais ou menos assim: Colombo descobriu a América e a América descobriu a Colombo. Foi muito engraçado.

Fiquei muito amiga da Luz Marina Zuluaga, a Miss Colômbia que venceu o concurso. Até ela torcia por mim e quando me chamaram como segunda colocada ela ficou impressionada, depois dizia sempre que aquele título deveria ser meu.

Em maio de 1959 casei e tive meu primeiro filho, dois anos depois voltei a trabalhar.


O que você acha das misses que fazem cirurgia plástica?

Sou fã número 1 da cirurgia plástica, já fiz várias. É uma hipocrisia criticar as plásticas, afinal é apenas um complemento. O que eu não suporto é ginástica, sou preguiçosa, mas agora estou tendo que fazer três vezes por semana.


Quais são seus planos para o futuro?

Adoro desafios. Estou com a meta de criar uma linha de jóias, para isto estou aprendendo tudo sobre o assunto. Sou apaixonada pela gemologia.

Pingue-pongue:

Uma fobia: água
Um grande prazer: estar com a família e aprender.
Um filme: E o vento levou
Virtude: sinceridade
O que você repudia: ingratidão e inveja
Uma mulher: Jackeline Kennedy pela elegância e atitude
Elegância é: atitude e educação
Maior loucura: foram muitas